Message de soutien à l'ouverture de RAMPEDRE de Nelton Friedrich, Itaipu Binacional, Brésil

We need to understand that it's time for change. We have to change our routine to do things differently, to contribute for the sustainable development, to be and act more as planetary citizens. The future is now.
Nelton Friedrich, Itaipu Binacional, Brésil
Published: 4 years, 11 months ago (10/30/2012)
Updated: 3 years, 4 months ago (06/18/2014)

Abstract- Water: source of life and food for the soul

The theme that we invite for reflection from this article addresses precisely the relationship of profound reverence among indigenous peoples and water; and we as human being who insist on not understanding that this liquid is fundamental to all and owns to nobody specifically.

We need to understand that it's time for change. We have to change our routine to do things differently, to contribute for the sustainable development, to be and act more as planetary citizens. The future is now. Diversity respect is needed we have to be apt to learn and revise our paradigms with humbleness especially when the question is whether we are taking care of our water wisely or if we see it much more as a commodity and input.

Água: fonte de vida e alimento para a alma

Mais do que um bem precioso e vital para a nossa existência, é preciso ter sensibilidade para compreender que a água tem uma relação que transcende o óbvio para nós, seres vivos: ela é sagrada. Os povos originários, de acordo com suas distintas realidades, compartilham a mesma filosofia sobre a água, tendo como elemento comum o respeito sobre algo que lhes é sagrado e, sendo sagrado, que não pode ser apenas cultivado, mas cultuado e reverenciado.

Vários artigos e livros abordam que o uso ancestral das águas está intimamente relacionado com a cosmovisão e a religiosidade andina, que se expressa nos rituais e atividades sagradas que propiciam a existência das águas em suas respectivas comunidades e territórios habitados. Assim, os direitos ancestrais sobre as águas compreendem o uso tradicional, mas, sobretudo, as atividades rituais e divinas que permitam sua existência, renovação e disposição.

No entanto, o tema em que convidamos para reflexão neste artigo, aborda justamente a relação de profunda veneração entre os povos indígenas e a água, e, nós, seres humanos, que insistimos em não compreender que esse líquido fundamental para a vida é de todos e, ao mesmo tempo de ninguém.

Precisamos entender que chegou a hora de mudarmos a nossa rotina, de fazermos diferente, de contribuirmos para com o desenvolvimento sustentável; de sermos e agirmos como cidadãos planetários. O futuro é agora. É preciso que haja respeito pela diversidade, que estejamos abertos para aprender e revisar, com humildade, os nossos paradigmas, principalmente quando a questão é se estamos cuidando com sabedoria da nossa água, ou se a vemos muito mais como mercadoria e insumo.

Precisamos compreender a cultura da água, reavivá-la e ter como inspiração a sabedoria, os ensinamentos, mas, principalmente, a sacralidade que os povos originários davam a essa riqueza essencial a toda vida humana, animal e vegetal.

Precisamos respeitar a Pachamama, criadora da vida, da natureza, da flora e da fauna, a divindade da fertilidade e da abundância.

E nesta trajetória brilhante de conscientização, da busca, do querer, da vontade coletiva - sem restrições - surge em fevereiro de 2012 a Rede Rampedre, formada por um grupo de amigos, líderes comunitários, idealistas, de pessoas vanguardistas que lutam pelo direito do ser humano a água; água de qualidade em toda sua essência.

Mais do que se reunirem para abordar as nuances do tema água, o grupo decidiu ousar. Em 3 de outubro de 2012, lançou um espaço on-line, que está sendo permanentemente atualizado, agregando novas conquistas, novas formas de luta, significando uma conquista valiosa, em um período da humanidade em que a internet tem um papel tão importante e de acesso cada vez maior.

Portanto, a Rede Rampedre on-line surge para que nós possamos ter uma referência, um endereço, onde as experiências, as notícias, os artigos e os intercâmbios estejam contemplados de forma viva, orgânica. Nasce um instrumento de ação criado para servir as autoridades e os cidadãos com o fornecimento de informações que possam auxiliar as pessoas a tomar medidas em favor do reconhecimento institucional e socioeconômico do direito à água.

A Rampedre é, sem dúvida, uma ferramenta e um mecanismo fundamental. Nós precisamos que o direito humano ao acesso água de qualidade não fique no papel, no enunciado, mas sim, que possa habitar o cotidiano de milhares de pessoas que ainda não tenham acesso à água de qualidade.

O mundo discute a questão água. Todos fazemos parte da teia da vida e um dos fios é a água.

Portanto, nada mais pertinente que pararmos para refletir sobre o trecho do poema Jane Arsmstrong, autora e artista da Nação Okanagan, do oeste do Canadá, que diz: “Água constitui um elemento básico da vida e por isso é tão sagrada quanto à vida. Todos somos iguais com relação a ela. A vida é de todos. A água é de todos. Todos somos água”.

Source : Nelton Miguel Friedrich, Co-ordination and Environmental Director at Itaipu Binacional,